Pesadelos são sonhos perturbadores (ou até ameaçadores), associados a pensamentos ruins, que acontecem principalmente durante o sono REM (a última etapa do ciclo do sono). Alguns destes sonhos desagradáveis são comuns a muitas pessoas e retratam acidentes, quedas, afogamentos, perseguições, assaltos, e até morte. Segundo a Associação Americana do Sono, cerca de 90% das pessoas tem pesadelo em algum momento da vida.

E o interessante é que um pesadelo sempre vem acompanhado de imagens que consideramos amedrontadoras. Por exemplo: uma pessoa que tenha fobia de aranhas pode deparar-se com várias delas no sonho. Porém, para outras pessoas, aranhas podem não representar nada ameaçador, então provavelmente elas não aparecerão em seus pesadelos.

Mas por que temos pesadelos?

Um estudo denominado “Nightmares in the general population: identifying potential causal factors” (Pesadelos na população geral: identificando potenciais fatores causais), realizado por pesquisadores do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Oxford, na Inglaterra, identificou fatores plausíveis para a ocorrência de pesadelos, que não fosse as causas já bastante conhecidas e estudadas, como estresse pós-traumático, condição de quem viveu ou presenciou eventos terríveis, como violência ou abuso. Os pesadelos são um dos sintomas da doença, ao lado de não conseguir controlar pensamentos negativos sobre o que aconteceu, ter flashbacks e ansiedade extrema. Uma vez que pesadelos são um fenômeno comum em toda a população, a pesquisadora Stephanie Rek, juntamente com dois colegas, decidiu realizar um dos estudos de maior amplitude já feitos a respeito da incidência de pesadelos na população geral.

De acordo com a pesquisa, uma em cada 20 pessoas tem pesadelos toda semana. Essa frequência aumenta para aqueles que sofrem de algum distúrbio psiquiátrico. Cerca de três quartos dos pacientes com estresse pós-traumático têm pesadelos e em aproximadamente metade dos pacientes com transtorno de personalidade borderline, cujas principais características comportamentais são instabilidade e impulsividade.

Ao contrário dos demais sonhos, dos quais dificilmente conseguimos nos lembrar ao acordarmos, o pesadelo surge como uma lembrança vívida e com aparência real. Muita gente diz não sonhar (mas todos nós sonhamos todas as noites), mas consegue narrar com detalhes as experiências ruins que tiveram enquanto estavam dormindo.

Além dos casos acima, em que o pesadelo é sintoma de um distúrbio psíquico, dois fatores foram identificados como causadores de pesadelos: a preocupação e a duração do sono.

Os pesadelos geralmente são sinais da nossa mente de que devemos resolver os problemas do dia-a-dia ou que estamos preocupados com situações que ainda não aconteceram. Os pesquisadores sugerem que ter esse tipo de pensamento logo antes de dormir alimenta o conteúdo negativo dos sonhos, aumentando a chance de ter pesadelos. Isso ocorre porque os sonhos capturam experiências de quando estamos acordados e as preocupações vividas durante o dia. Além disso, o estudo levanta a possibilidade de que os pesadelos podem alimentar os pensamentos negativos sobre o futuro no dia seguinte, o que motiva a ocorrência de novos pesadelos.

As descobertas do estudo também relacionaram a ocorrência de pesadelos à prática de dormir mais de nove horas por noite. Ter um sono mais longo aumenta a quantidade de sono REM, o estágio do sono em que pesadelos normalmente ocorrem.

No entanto, segundo alguns psicólogos, existe uma teoria de que os pesadelos podem ser bons para nós. Essa teoria diz que eles ajudam o nosso cérebro a processar as experiências intensas. Se nos sentimos sobrecarregados, o cérebro pode criar situações que vão de encontro a isso. Se estamos cheios de pendências no trabalho, por exemplo, podemos sonhar que fomos pegos por um tsunami.

Especialistas dizem que os pesadelos nos ajudam a lidar com os acontecimentos ruins na vida. Durante o dia, relacionamos estes eventos a respostas emocionais - nem sempre da melhor forma. Por exemplo: podemos adquirir medo de algo que não é de fato uma ameaça.

Assim, os sonhos nos permitem minimizar estas conexões inúteis ao misturar coisas assustadoras com coisas que não são amedrontadoras - e, com o tempo, passamos a ter menos medo.

Os pesadelos podem ser provocados também por estresse, quando a mente não consegue se desvencilhar dos problemas cotidianos; pela ansiedade; por eventos traumáticos, como um acidente de automóvel, por exemplo; por histórias assustadoras, contadas imediatamente antes do sono; e, também, por alguns medicamentos, álcool e drogas.

Por mais terríveis que sejam os pesadelos, eles só podem ser considerados patológicos se forem recorrentes e se impedirem o descanso noturno, provocando cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração durante o dia.

Além disso, é possível adotar alguns hábitos para evitar essas experiências negativas e, assim, ter a tão desejada e necessária boa noite de sono. As dicas são as seguintes:

- Pratique atividades físicas. Elas liberam endorfinas, hormônio com efeito analgésico que contribui para o sono;

- Não abuse do álcool e jamais use drogas ilícitas, especialmente as que geram alucinações;

- Evite a cafeína nos períodos vespertino e noturno;

- Cuidado com as histórias assustadoras antes de dormir, principalmente se você é uma pessoa que se impressiona facilmente com elas;

- Invista num ritual do sono e pratique atividades relaxantes antes de dormir (massagens com vibroterapia, banho quente, cromoterapia no quarto, etc).

 

 

 

Referências:

Porque Temos Pesadelos: O que é um Pesadelo?. Disponível em: https://www.sonharcom.net/porque-temos-pesadelos/ Acesso em: 21/04/19.

Por que temos pesadelos?. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/47326335 Acesso em: 24/04/19.

Quais são as principais causas dos pesadelos, segundo este estudo. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/08/02/Quais-s%C3%A3o-as-principais-causas-dos-pesadelos-segundo-este-estudo Acesso em: 24/04/19.