Bem no centro da nossa cabeça, no meio do cérebro, existe uma estrutura do tamanho de uma laranja. É a chamada glândula pineal, o local aonde se produz o hormônio do sono, a chamada melatonina.

Fabricada pelo corpo, a melatonina entra na circulação sanguínea e não só regula o momento de dormir como participa da reparação das nossas células, expostas ao estresse, ansiedade, poluição e outros elementos nocivos. “Ela é um antioxidante poderoso e combate os radicais livres que agridem o organismo”, conta José Cipolla Neto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.

Na realidade, a substância está entre as mais primitivas de que se tem notícia e aparece em todos os seres vivos, incluindo as plantas. “A melatonina é o hormônio da noite”, conta o endocrinologista Bruno Halpern, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

Em sincronia com o fim do dia e da luminosidade, ela passa a ser liberada a fim de preparar o organismo para o período noturno. A resposta a esse fenômeno varia de acordo com cada espécie: ratos ficam espertos e ativos para procurar comida, já os serem humanos ficam prontos para ir para a cama.

A melatonina, devido a sua importante função, tem também a sua versão sintética, que é uma molécula igualzinha ao hormônio natural. Nos EUA, essa substância é vendida como suplemento alimentar – com fácil acesso a quem quiser comprar. Já na Europa e em outros países, como o Brasil, porém, o controle é mais rigoroso.

 

Vale a pena tomar a versão sintética?

Hoje em dia, embora o suplemento de melatonina esteja mais comum, está longe de ser uma unanimidade entre os médicos. Por um lado, muitos profissionais recomendam para melhorar a qualidade de sono dos pacientes. Mas, por outro, médicos afirmam que não há comprovações científicas suficientes sobre o uso.

“Os estudos clínicos sobre o uso da melatonina como suplemento não são definitivos. Em tese, a substância nos faz dormir bem, mas precisamos estudar e fazer testes para ver como essa melatonina ingerida, que não é produzida pelo nosso corpo, funciona de fato no organismo”, afirma Fabio Porto, neurologista comportamental do Hospital das Clínicas em São Paulo.

Além de ainda não saber o momento ideal para ingerir o hormônio (se é assim que deitar ou duas horas antes, por exemplo), ainda não é definido qual a dose correta para cada organismo. Ambos fatores são de extrema importância, uma vez que doses e horários errados de melatonina podem mexer no ciclo circadiano e, em vez de melhorar o sono do paciente, pode o desregular ainda mais. Para ficar claro, o ciclo circadiano é o período de aproximadamente 24 horas em que nosso corpo se baseia para organizar funções como digestão, temperatura, estado de vigília ou sono, e é influenciado pela variação de luminosidade.

“Quando você toma melatonina induz um pico da substância muito maior do que o fisiológico. Na teoria, você consegue dar um reset no relógio biológico. Assim você pode, de uma hora para outra, mudar os horários de sono e vigília, e fazer isso sem acompanhamento é perigoso”, alerta Porto.

 

Com versão sintética de melatonina ou não, ter uma boa noite de sono é indispensável para qualquer pessoa. Por isso, independente de aderir ou não a essa substância, ter um ritual de sono e valorizar atividades relaxantes antes de dormir é, de fato, benéfico a todos.

Por isso, invista em um banho relaxante, massagens eletrônicas, cromoterapia, musicoterapia, leituras leves e, muito importante: evite telas de celular, televisão ou tablets por, pelo menos, uma hora antes de deitar.

 

 

 

Referências:

Melatonina: tudo sobre o hormônio do sono. Disponível em: https://saude.abril.com.br/bem-estar/melatonina-tudo-sobre-o-hormonio-do-sono/ Acesso em: 28/04/19.

Melatonina: faz sentido tomar o "hormônio" do sono para dormir melhor?. Disponível em: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/08/22/tomar-melatonina-para-melhorar-o-sono-faz-sentido.htm Acesso em: 28/04/19.