Que dormir pouco faz mal para a saúde todos sabem. Mas e dormir muito, faz alguma diferença?

Cientistas da Universidade de Western, em Ontario, Canadá, realizaram um dos maiores estudos sobre o sono já feitos até hoje. O teste, que avaliou 44 mil pessoas online ou por meio de outras plataformas, chegou à conclusão que grandes quantidades de sono podem ser tão ruins quanto poucas.

Para a realização da pesquisa, os participantes registraram quantas horas dormiram na noite anterior e depois respondiam algumas perguntas de um questionário. Um dos objetivos do estudo, publicado na revista Sleep, era avaliar o impacto que diferentes quantias de sono tinham na mente humana.

Como resultado, o estudo mostrou que as pessoas que tinham menos de quatro horas de sono por noite realizaram atividades cognitivas como se fossem nove anos mais velhas. Por outro lado, as melhores habilidades foram feitas por quem havia dormido entre sete e oito horas na noite anterior – independentemente da idade.

"Descobrimos que a quantidade ideal de sono para manter o cérebro com o melhor desempenho é de 7 a 8 horas todas as noites e isso corresponde à mesma recomendação dos médicos para manter o corpo em forma", disse Conor Wild, principal autor do estudo.

A outra descoberta – e a mais curiosa – é que aqueles que dormiam mais do que essa quantidade de sono também eram prejudicados na realização de suas atividades cotidianas tanto quanto (ou até mais) que os indivíduos que tinham dormido poucas horas.

A conclusão é que o nosso corpo nos pede algumas horas mínimas de sono, mas também máximas. E sabem por quê? Porque ele só descansa realmente durante a fase de sono profundo e isso só é conseguido com um tempo específico de sono que, na maioria dos casos, não costuma exceder 8 horas por dia.

O problema com o sono prolongado que excede 9 horas por dia é que ele se torna um sono leve. Ou seja, não é atingido um estado profundo e constante de sono. Dessa forma, pode-se dizer que o descanso é pior ou de má qualidade. E é por isso que é tão prejudicial quanto não chegar a 6 horas de sono por dia, por exemplo.

É muito importante levarmos a sério as advertências dos especialistas em relação à necessidade de não dormir demais. Os riscos para a saúde são realmente altos e podem colocar o nosso bem-estar em grave perigo. Abaixo, segue 4 consequências negativas para a saúde de quem dorme demais:

 

Risco de sofrer doenças cardiovasculares

Dormir muito, assim como dormir mal, contribui para elevar o risco de doenças cardiovasculares que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são as principais causas de morte no mundo todo. Além disso, dormir demais também aumenta a possibilidade de sofrer ataques cardíacos e doenças neurológicas e metabólicas.

Segundo as estatísticas da OMS, as mulheres tendem a dormir mais do que os homens, o que significa que são mais vulneráveis ao desenvolvimento de problemas cardíacos.

 

Alteração do metabolismo

O excesso de sono também pode alterar o metabolismo humano, pois se passarmos muito tempo dormindo, nosso corpo realiza muito menos exercício. A falta de atividade física é determinante nesse sentido.

 

Desenvolvimento de diabetes

Dormir muito também pode ser determinante para o desenvolvimento da diabetes, assim como a falta de sono. Isso porque os níveis de açúcar tendem a aumentar. Uma elevação no nível de glicemia aumenta o risco de diabetes tipo 2.

 

Lentidão cerebral

Quando sofremos de sono prolongado crônico, nosso cérebro envelhece mais rápido. Esse fenômeno prematuro gera dificuldades para o desenvolvimento das atividades cotidianas, mesmo as mais simples.

A lentidão e o envelhecimento precoce se devem à falta de sono profundo quando dormimos muito. Como o indivíduo acorda constantemente durante a noite, o descanso é de má qualidade e o corpo não se restaura adequadamente.

 

No entanto, é importante lembrar que uma boa noite de sono não depende propriamente da sua duração mas sim da qualidade do sono. Uma noite bem dormida deve ser reparadora, que é quando a pessoa descansa e acorda bem disposta.

Para isso acontecer, é importante que o sono tenha profundidade, duração e não seja interrompido. Por isso, a duração ideal do tempo de sono varia de pessoa para pessoa, de acordo com a idade e o momento da vida.

 

 

 

 

Referências:

Dormir muito pode ser tão prejudicial à saúde quanto dormir pouco. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2018/10/dormir-muito-pode-ser-tao-prejudicial-saude-quanto-dormir-pouco.html Acesso em: 28/04/19.

Dormir demais faz mal à saúde?. Disponível em: https://medicoresponde.com.br/dormir-demais-faz-mal-a-saude/ Acesso em: 28/04/19.

Dormir muito: 5 consequências para a saúde. Disponível em: https://amenteemaravilhosa.com.br/dormir-muito-consequencias-saude/ Acesso em: 28/04/19.